Tipos de Arroz e uma receita de Arroz Negro com Beringela e Espinafres

Tenho uma paixão por arroz… Neste momento é uma paixão calma e controlada mas já foi avassaladora. 🙂 Lembro-me de, em pequena, comer um tacho de arroz inteirinho numa refeição. Já não o faço claro… Porque tomei consciência que realmente era um consumo exagerado de hidratos de carbono (açúcares), sobretudo na sua versão refinada (que há 30 anos atrás nem se ouvia falar de outro arroz que não fosse o branco). Também fui descobrindo novos alimentos, como a quinoa, o millet e o trigo sarraceno, que me despertaram para outros sabores (e outras paixões).

Há bastantes tipos de arroz, embora algumas pouco conhecidas pela maioria das pessoas.

Aqui fica uma breve descrição dos tipos de arroz mais comuns:

Branco: É o arroz menos nutritivo, devido ao facto de lhe ter sido retirada a casca, que é onde se encontram as fibras, vitaminas e minerais. Este tipo de arroz é basicamente fonte de hidratos de carbono e alguma proteína.

Integral: É um arroz mais escuro pois permanece com a sua camada externa, preservando vitaminas e minerais, principalmente vitaminas do complexo B. É fonte de fibra, auxiliando no bom funcionamento do intestino, na redução da gordura abdominal e promovendo a sensação de saciedade.

Basmati: É o arroz mais usado na culinária indiana, sendo por isso muito conhecido. Tem os grãos mais longos e um aroma e sabor muito característicos. Apesar de também ser um arroz polido, consegue ter bastante mais fibra que o arroz branco e um índice glicémico bastante inferior (inibindo picos de açúcar no sangue). Face ao arroz integral tem a vantagem de ter ainda mais proteína, para além de se cozinhar bem mais rapidamente e ficar sempre soltinho.

Vaporizado: É um arroz que passa por um tratamento hidrotérmico (água a ferver), o que faz com que alguns dos seus nutrientes e minerais passem da casca para o interior do grão. Assim sendo, possui um maior valor nutritivo quando comparado ao arroz branco, porém ainda perde para o arroz integral em termos de fibra e micronutrientes (pode ser considerado um meio termo entre o arroz branco e o integral). Também possui menor índice glicémico que o arroz branco, ou seja, afeta menos a quantidade de açúcar no sangue.

Arbóreo: É um arroz de grão curto e arredondado, famoso por ser o arroz dos risotos. Visto que é rico em amido, torna-se num arroz mais cremoso quando cozinhado e que mais facilmente absorve os temperos. Sendo também refinado, tem um valor nutricional semelhante ao arroz branco.

Negro: Com elevado conteúdo em fibra e proteína, este é um tipo de arroz menos comum. Rico em antioxidantes, vitaminas e minerais (entre os quais ferro), este arroz é bastante saboroso e possui uma textura bem firme após a cozedura. Também é um ótimo alimento em termos de índice glicémico. Tem a desvantagem de ter um preço mais elevado que os restantes.

Vermelho: É um arroz parcialmente polido, pelo que não perdeu o seu valor nutricional. É rico numa substância chamada monocolina, que ajuda a diminuir o mau colesterol (LDL). Tem também ação antioxidante, embora não tanto como o arroz negro. É rico em minerais como ferro e zinco, sendo o seu tempo de cozedura idêntico ao do arroz branco.

Selvagem: O arroz selvagem que se encontra à venda é na verdade uma mistura de outro tipo de arroz (normalmente vaporizado) com uma gramínea longa e escura (que não é arroz). Tem um sabor agradável e é bastante aromático. É pobre em gorduras e rico em proteínas e fibras. É também uma boa fonte de potássio, fósforo e vitaminas.

Em resumo, devemos dar preferência ao arroz integral e tentar substituir o arroz branco por arroz basmati ou vaporizado, já que se cozinham da mesma forma e são mais saudáveis. De vez em quando, e quando apetecer algo diferente, o arroz negro é também uma excelente opção.

Eu só experimentei o arroz negro há relativamente pouco tempo e posso dizer-vos que fiquei fã! É super saboroso e fica ótimo com vegetais. Já para não dizer que faz um prato bem original e apelativo.

E por isso hoje trago-vos uma receita de arroz negro com beringela e espinafres. Simples, saborosa, aconchegante. Recomendo! 🙂

NOTA: Não é fácil encontrar este arroz nos supermercados tradicionais, eu costumo comprar a peso na Maria Granel.

Arroz Negro de Beringela e Espinafres (2 pessoas)
[Sem Glúten, Vegan]

– 1/2 cháv. de arroz negro
– 1 cebola
– 1 dente de alho
– 1 beringela
– 2 talos de aipo
– 1 mão cheia de alga aramé
– 1 cháv. de espinafres
– manjericão para decorar
– sal, azeite, tamari, gengibre em pó, cominhos e sumo de limão

1. De véspera ou 8 horas antes colocar o arroz de molho em água.
2. Lavar o arroz e cozer em 1 + 1/2 cháv. de água e uma pitada de sal (entre 20 a 25 minutos mas é melhor ir verificando para não cozer demais).
3. Numa taça pequena colocar a alga e cobrir com água. Deixar a demolhar cerca de 15 minutos.
4. Cortar a cebola bem fina e ralar o dente de alho. Deixar alourar num fio de azeite.
5. Cortar a beringela em pedaços pequenos, bem como o aipo. Juntar à frigideira, juntamente com a alga aramé, temperar com uma pitada de sal, umas gotas de tamari, sumo de limão, cominhos e gengibre em pó a gosto. Envolver e tapar. Deixar ao lume cerca de 15 minutos, mexendo de vez em quando.
6. Lavar e cortar os espinafres e juntar ao lume a meio do tempo.
7. No final juntar o arroz cozido, envolver bem e deixar mais 1 minuto ao lume.
8. Decorar com folhas de manjerição.

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